1 de janeiro de 2026

Dia 1 com biscoitinhos feitos pelas mãos da mãe, junto ao matezinho e à leitura, os desejos cada vez mais voltados para a simplicidade: saúde para vocês, para nós, para os bebês, e o amor que vale as preces, o cuidado, a suavidade — diante da tempestade interna, externa, da tirania da sombra na dor. Que a resistência nos encontre pacientes, alegres, comovidos por estarmos vivos, sem esquecer que estamos sempre à beira do abismo; nada está garantido, tudo é temporário: o pensamento, o corpo, esse eu ao qual tanto se apega quem se sente cindido, em solidão, em desamparo. Tudo é ilusão. Do barro viemos e ao barro voltaremos. Somos Sísifo, la changa contemplando a montanha, o frenético extasiado de cimento e dopamina, o padre lendo Kusch, a mulher que levanta, lava, acaricia, cozinha, organiza, leva, traz, sustenta, suporta, e nos diluímos na espiral daquilo que não conseguimos vislumbrar pela lógica. Fechamos os olhos, suspiramos. Invocamos a simplicidade dos biscoitinhos feitos pelas mãos da mãe, dos matezinhos, da leitura, da saúde para vocês, para nós, para os bebês, do amor que vale as preces, o cuidado, a suavidade.

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